Agulhas velhas - manutenção pós-yamadori pinus silvestris

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Agulhas velhas - manutenção pós-yamadori pinus silvestris

Mensagem  Nelson Lopes em Qua Ago 10, 2011 2:49 am

Boas,

apesar de já ter contacto com algumas espécies há uns tempos a experiência com pinus silvestris iniciou no Inverno passado até porque anteriormente não tinha condições para árvores de médio porte.

Recolha a 31.01.2011 com temperaturas a rondar os zero! Graus (na semana anterior tinha estado bem mais ameno). Devia ter sido um pouco mais tarde, mas como eram para trazer do Norte para a Grande Lisboa e como no ano passado as temperaturas em finais de Fevereiro andaram perto dos 30 Graus aproveitei uma visita aos sogros nessa altura.

Até agora está tudo a correr lindamente. Foi um belo exercício uma vez que os 3 apresentavam "bolos de raíz" bem diferentes.
O mais pequeno (ca. 30cm de altura e 5cm de diâmetro) encontrava-se numa cova natural entre duas rochas e praticamente nem mexi nas raízes e nem foi necessário retirar ramagem. Pode ser considerado um falso transplante uma vez que o retirei do vaso natural e o coloquei num vaso de treino “apenas” com mudança de localização.
O segundo e o terceiro foram reduzidos no local apresentando agora ca. 50cm e perto de 10cm de diâmetro. Tentei manter o máximo de "verde" de forma a caber no carro. A diferença foi que num consegui recolher também um bolo interessante de raízes finas superficiais com solo original enquanto no outro a raiz pivot desaparecia entre dois blocos graníticos tendo mesmo muito poucas raízes superficiais e ficando essas completamente "nuas".
Apesar de ter ficado com a ideia que seria quase impossível ter bons resultados com o terceiro fui surpreendido positivamente.
O primeiro nem deu pela mudança e começou a brotar abundantemente passadas poucas semanas. Surpreendentemente o segundo a inchar as velas e a deitar novas agulhas (início de Março) foi o que praticamente não apresentava raízes e só depois é que arrancou o que tinha o bolo de raízes intermédio.

Actualmente estão todos com bom aspecto e quer-me parecer que já se estão a preparar para o 2nd round de agulhas novas para depois do Verão (pelo ar das velas e pelo facto de já terem aparecido uns gomos novos em madeira velha).

Desculpem esta introdução gigantesca, mas também quis partilhar a experiência com quem ainda não recolheu material deste tipo. Agora a minha questão propriamente dita:

A manutenção do retirar das agulhas velhas é descrita em todo lado como uma das mais importantes para criar ainda mais back-budding e para a saúde dos pinus. Uma vez que o pequeno continua a estar no solo original, não teve intervenção nas raízes e reagiu tão bem decidi ontem retirar as agulhas velhas nesse exemplar. Até à data foi o único “trabalho” em todos os três para além da rega e da adubação a partir de Abril.
Quanto aos outros dois quero deixá-los “pousar” no mínimo dois anos antes de começar trabalhos de estilização etc. A minha dúvida: o retirar de agulhas velhas é um trabalho de manutenção que pode (ou até deve) ser feito entretanto ou é melhor não mexer mesmo nada?

Obrigado antecipadamente pela atenção e pelo feedback das V/ experiências.

Nelson
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Re: Agulhas velhas - manutenção pós-yamadori pinus silvestris

Mensagem  Mario Eusebio em Qui Ago 11, 2011 2:45 am

Viva Nelson!

Grande arranque das recuperações de silvestres!! cheers Ter uma taxa de 100% de sucesso é deveras marcante e só te posso dar os meus parabéns! Infelizmente nunca tive um pleno Sad

Já recolho pinus há uns 6 anos e é curioso, pois já me aconteceram tantas coisas distintas que começo a pensar que o factor sorte, por vezes, conta muito, há árvores que ás vezes não se compreende como com tantas raízes acabam por morrer e outras sem raizes finas nenhumas acabam por sobreviver cyclops , como dizia um colega de hobby, há árvores que não quizeram ser artistas Laughing .

Por exemplo, este ano aconteceu-me isso em algumas, com muitas raizes, blocaram e pura e simplesmente não recuperam. Quando um pinus fica sem qualquer tipo de reacção, já consigo agora dizer que essa árvore, não vai recuperar. Quando começam a alongar as velas, é sinal que a planta está a "trabalhar" e normalmente recupera! Há ainda outras situações, (este ano tenho uma assim) em que a planta, começa a descartar as agulhas velhas, do 3º e do 2º ano, para equilibrar a energia , indo busca-la ás agulhas. Isto nota-se claramente, pois as agulhas mais antigas começam por ficar amarelas e mais tarde caiem, neste caso, apesar da árvore não ter alongado as velas, está "activa" e vai desenvolvendo as raízes, podendo alongar as velas mais para a frente mesmo em setembro ou podem só alongar na próxima Primavera (creio que será o meu caso deste ano).

No caso em que foi quase um falso transplante, acho que podes iniciar os trabalhos, como o que já fizeste de limpeza de agulhas e no próximo inverno podes até aramar e colocar os ramos principais, mas haverá pessoas que optam por posturas mais defensivas e deixam mais tempo de recuperação, tens apenas de ter em atenção para não cortar as agulhas do 2º ano todas, pois as deste ano ainda estarão um pouco tenras e podem não fazer a funçao a 100%, digo-te isto, pois já perdi uma árvore, precisamente por cortar agulhas a mais e ficar apenas com as novas agulhas do ano.

Nos outros dois caso, acho que deves esperar mais, pois tens que dar tempo á árvore para recuperar e armazenar energia nas novas raizes. De acordo com a dureza das agulhas, também conseguirás analisar o vigor, um pinus com vigor, as agulhas picam e oferecem resistência ao toque Wink!

Eu acho que não há uma regra rigida, mas deves ir vende caso a caso e mesmo, na mesma árvore, podes ter zonas que recuperaram melhor que outras e nesse caso, o corte de agulhas poderá ser usado, para redistribuir o vigor e equilibrar a energia.

Bem, seria melhor ter imagens das árvores, pois daria para perceber o estado, o tipo de agulhas e o posicionamento do verde, pois ás vezes, o corte de agulhas não será a melhor opção ou então tem que ser excutado em conjunto com outras técnicas. Se o verde está perto do tronco, o corte de agulhas funcionará só por si como bom método, mas se está longe, podes ter que optar por cortar as pontas completas de verde até zona mais interiores, mas que tenham sempre agulhas e velas com vigor suficiente para abrir na próxima estação. Por outro lado se os ramos têm muito verde e longe podes ter que podar e cortar algumas agulhas nos ramos que ficarem.

No fundo será uma questão de sensibilidade, tens que "ouvir" a árvore e perceber se poderás fazer isso tudo duma vez ou em periodos distintos e de acordo com a resposta da árvore, ires adaptando as várias técnicas, pois nos pinus a resposta terá sempre uma "décalage" tendo em conta que o que fazes só será efectivamente visto o resultado mais á frente!

Eu tenho o meu melhor pinus, que tenho feito as operações que falamos, faseadamente, tendo eliminado primeiro aquilo que claramente não entrava no desenho futuro, este ano cortei agulhas e cortei alguns ramos mais longos, trazendo o limite do ramos para bifurcações mais interiores e sucessivamente, depois serão colocados os ramos principais, se achar que a árvore respondeu bem até agora.

Boa sorte e bem vindo ao universo dos pinus, sem dúvida a espécie que mais gosto Smile São das espécies mais trabalhosas...mas o prazer está precisamente nisso Smile

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Cumprimentos

Mário Eusébio

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Re: Agulhas velhas - manutenção pós-yamadori pinus silvestris

Mensagem  Nelson Lopes em Qui Ago 11, 2011 7:01 am

Viva Mário,

Antes de mais um forte abraço e espero que esteja a correr tudo da melhor forma.
Depois muito obrigado pelo teu exaustivo feedback que é muito valioso sabendo que deves ser das pessoas mais activas e experientes com silvestris neste “mundo virtual” em terras lusas.

Concordo plenamente que o factor sorte também é uma variável nesta equação. O nosso dever (no meu entender) é fazer com que essa variável tenha a mínima influência possível e fazer tudo para que a árvore tenha as melhores possibilidades de sobrevivência. Mas tal como tu relatas em outras espécies também já tive insucessos difíceis de compreender.

Quanto a pinus não é bem o meu primeiro contacto. Activamente comecei agora à procura de exemplares mais ou menos válidos de silvestris. Em 2008 e com muito menos conhecimentos fiz as minhas primeiras duas recolhas. Nessa altura nem sabia bem o que estava a recolher. Olhei para a suposta “mãe” à volta que apresentava agulhas não muito compridas e trouxe dois “mais pequenos” à volta sendo um deles mesmo muito jovem (2 anitos no máximo). Ainda hoje não sei bem que espécie são… o mais pequenote pode até ser um silvestris o outro definitivamente não é, parece-me um pinheiro negro… mas não sei. Sim, escrevo hoje, porque para mim inexplicavelmente e tendo em conta a pouca experiência minha nessa altura consegui não matá-los. Especialmente tendo em conta que no suposto pinheiro negro estupidamente comecei logo com técnicas de pinçagem e redução de agulhas etc. sem sequer ter deixado repousar bem a árvore ou nem sequer ter em mente uma posição de ramos etc… mas foi o que na altura tinha lido superficialmente na net…
Bem adiante… felizmente as árvores perdoaram os meus tremendos erros. Parei de imediato quando me apercebi deles e deixei pura i simplesmente de mexer. Mesmo assim um esteve quase vai/não vai em coma durante um ano antes de decidir que afinal ainda me ia dar mais uma hipótese de me redimir.
Isso para dizer que incrivelmente tenho (até à data) 5 em 5 pinus quando já me morreram Figueiras, Oliveiras, Sobreiros (com muita raiz) etc. INEXPLICÁVEL e o que muitas vezes é considerado “sorte de principiante”.

Mesmo assim ainda continuo a cometer “erros”. Quando li o teu comentário engoli em seco… Já tinha ideia de não mexer nas outras duas, mas quanto ao primeiro… Uma vez que está cheio de vigor cortei as agulhas velhas quase todas 3º e 2º ano deixando quase só as deste ano (uma ou outra excepção). Vamos esperar que não tenha feito asneira e que tudo continue a correr conforme planeado. A ver se reage bem e se irei avançar com os trabalhos indicados por ti já este Inverno ou se irei esperar mais um pouco. Prometo que irei colocar fotos deste e de outros projectos… mas ao final do dia e ao fim-de-semana é sempre a correr de um lado para o outro… e o tempo é escasso.
Normalmente dou apenas uma vista rápida na hora de trabalho ou ao almoço mas também não quero exagerar…
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Re: Agulhas velhas - manutenção pós-yamadori pinus silvestris

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